sábado, 26 de maio de 2012

Rua do Pulo, 21

Resenha flash. Essa história de escrever só sobre os filmes que me interessam mais profundamente me limitam muito e eu acabo só dividindo aqui esses filmes mais sérios em detrimento dos que a gente vê só pra se divertir ou só pra passar o tempo. Então, o filme de hoje é o 21 Jump Street, ridiculamente chamado de Anjos da Lei em português, comédia que eu descobri já há uns meses através das boas críticas no Rotten Tomatoes, site que eu recomendo muito pra quem precisa de uma opinião antes de ver um filme.

O longa foi dirigido por Phil Lord e Chris Miller (que dirigiram Tá Chovendo Hambúrguer, mas trabalham mais na TV) e conta com as atuações do Jonah Hill (o gordinho de Superbad) e do Channing Tatum (Querido John) como protagonistas. 21 Jump Street é o endereço de uma das divisões do departamento de polícia que trabalha com policiais de aparência jovem, cujo trabalho é infiltrar-se em operações criminosas dentro de colégios e faculdades. Assim, Schmidt (Hill) e Jenko (Tatum) vão parar numa escola de Ensino Médio pra tentarem encontrar o traficante que vem introduzindo uma nova droga sintética entre os estudantes.

O filme é baseado na série de TV homônima, exibida no fim dos anos 80, que revelou o Johnny Depp como ídolo teen da época. A propósito, ele até faz uma participação especial nessa versão cinematográfica desse ano. Mas anyways, o longa é um daqueles besteróis pra adolescentes e jovens adultos, com várias piadas de sexo e drogas. Os roteiristas, no entanto, têm plena consciência disso e aproveitam a oportunidade pra descontruírem alguns estereótipos que tanto desgastaram o "gênero". O retorno ao colégio por parte dos protagonistas se revela, portanto, como uma surpresa pros dois, já que a configuração da dinâmica social mudou significativamente desde a época em que eles mesmos eram estudantes. Os adolescentes cool agora não são mais os atletas e as cheerleaders, mas aqueles preocupados com o meio ambiente e interessados em arte. Claro que essa própria imagem se revela falsa durante a trama, mas esse desencontro entre a experiência passada e a situação atual é um motivo recorrente na história.

Enfim, 21 Jump Street é uma comédia recheada de brincadeiras imaturas e hilárias que valem bem os 109 minutos de risadas. A química entre os protagonistas funciona muito bem e fica fácil de entendemos por que o nerd se torna amigo do atleta quando os dois vão pra academia de polícia. Além disso, o compromisso mais solto com o estilo besteirol e a liberdade pra brincar um pouco com as suas regras fazem do filme uma diversão até que digna.

Nota: 8,5.


 "Fuck you, Glee!"

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Vergonha

Aiai, qualquer dia desses escrevo com mais afinco algo profundo e super inovador sobre como a internet mudou nossa forma de acesso às obras de arte na contemporaneidade. Mas como não quero envergonhar meu professor de Teoria da Literatura II com uma filosofia capenga de mesa de bar, vou me limitar a comentar aqui o que de fato vim comentar. A questão é que esses dias estava dando uma olhada na filmografia da Carey Mulligan (Uma Educação, Não Me Abandone Jamais, Drive) na Wikipedia e me deparei com um filme do ano passado chamado Shame, estrelado pelo Michael Fassbender, o Magneto jovem desse último X-men.

Dirigido pelo Steve McQueen (Hunger), o longa nos conta a história de Brandon, um viciado em sexo que aparentemente tem uma vida normal. Ele tem um bom emprego numa empresa, tem um apartamento confortável e uma vida social normal. Até uma irmã meio doidinha ele tem a boa vontade de acolher. O problema é que esse vício começa a afetar alguns aspectos da vida dele, e o que era apenas algo vergonhoso, relegado à reclusão das quatro paredes do apartamento, passa a manchar sua imagem cuidadosamente criada. Assim, Brandon é forçado a lidar com partes obscuras de sua consciência que ameaçam arruinar sua vida.

Falando assim no seco, tipo, do cara que é viciado em sexo, talvez possa estar dando a ideia de que se trata de algo meio promíscuo ou erótico, mas o tratamento que o diretor dá ao tema é bem diferente. Nesse sentido, os aspectos técnicos têm um papel importante no desenrolar da história. A trilha sonora, por exemplo, é bem pesada com violinos e metais que as vezes parecem embalar um dramalhão de tragédia grega. A partir de pontos de vista não muito convencionais, a câmera também mal se mexe e há cenas que se estendem por minutos sem um corte sequer, o que obviamente mostra a qualidade da atuação. Sabe Deus quantas vezes ensaiaram aquilo pra parecer tão natural e sincero. Enfim, técnica e roteiro se juntam numa perfeita combinação pra contarem uma história sobre um assunto tão sensível.

Através desses elementos, Shame consegue, portanto, explorar a realidade do vício do protagonista em várias esferas, desde a pessoal e familiar até a do trabalho e a amorosa. Percebemos, assim, seus problemas emocionais e sua batalha com qualquer relacionamento que seja mais íntimo que seus encontros sexuais. Mesmo diante dos problemas de sua irmã, Brandon se esquiva e prefere a solidão da vida que antes tinha. No entanto, ele é o que a ela resta e seus laços de sangue podem ser as únicas coisas que podem ajudá-lo a superar as barreiras criadas pelo seu vício. Esse arco do personagem é muito bem desenvolvido e finalmente o diretor nos deixa decidir o desfecho desse turbilhão emocional pelo qual o protagonista passa.

Nota: 9.

"We're not bad people. We just come from a bad place."

quarta-feira, 23 de maio de 2012

3 New Girls

Maio já está na metade e nossas séries queridas chegaram a suas season finales (qual é o plural de "season finale"?), umas surpreendentes e outras decepcionantes. Dexter entrou na reta final, Walking Dead ficou melhor do que já era, American Horror Story viciou uma galera, Once Upon A Time mais ainda e Lame Game of Thrones nem se fala. Mas eu vim aqui pra falar de duas novas sitcoms que me conquistaram já nos primeiros episódios: New Girl e 2 Broke Girls.

Flashbackeando pra julho passado, lembro que tava pesquisando/stalkeando a Zooey Deschanel e vi na página dela na Wikipedia que ela estrelaria New Girl em setembro na Fox, ou seja, ganhando uma dose semanal de Zooey eu finalmente pararia de ver (500) Dias Com Ela ((500) Days of Summer) toda hora e de ficar baixando a filmografia dela. Já em outro artigo, vi que uma tendência dessas novas séries era apostar na capacidade cômica das protagonistas femininas, assim, além de New Girl, os canais americanos tavam contando com o sucesso de, entre outras, Are You There, Chelsea? e 2 Broke Girls. Essa primeira não me intrigou, mas a segunda já virou uma das minhas favoritas.

New Girl conta a história da Jess, uma professora que se vê sem um teto pra morar quando pega o noivo com outra com a boca na botija. Daí ela encontra um apartamento pra dividir com três caras, a princípio contrariados com a... excentricidade da nova colega de casa. Mesmo antes da exibição dos episódios a série logo recebeu o selo de aprovação dos críticos e foi eleita a série nova mais empolgante. Produzida através da técnica da single camera, ou seja, uma cena é formada por várias tomadas, New Girl é gravada sem a plateia tradicional das sitcoms e não possui aquelas risadinhas por trás, a laugh track.

É claro que pra mim o appeal inicial da série foi a protagonista, personagem perfeita pro tipo de atuação da Zooey Deschanel: mulheres meio vintages, meio dorks e doidinhas totalmente adoráveis. No entanto, a cada episódio, a qualidade do elenco de apoio só crescia, tanto que os próprios produtores apostaram em plots mais elaboradas pros outros caras da série, o que deu super certo ao ponto de eu achar que nem é a Jess a mais engraçada dos quatro. Enfim, o que mais gosto em New Girl é esse clima meio Friends de tiração de sarro, dramas românticos e o nosso humor do dia a dia que temos com os nossos próprios amigos.


2 Broke Girls conta a história de duas figuras quase que totalmente opostas, mas que são obrigadas pelas circunstâncias a juntarem suas forças. Uma é a Max (Kat Dennings, aquela que fez Nick and Norah), garçonete de uma lanchonete em Williamsburg no Brooklyn, e a outra é a Caroline (Beth Behrs, de quem nunca tinha ouvido falar), uma ex-blilionária cujo pai foi pra cadeia por fraude e desvio de dinheiro. Como o próprio nome da série sugere, essas duas mulheres sem um tostão acabam se juntando pra descolarem uns trocados a mais e melhorarem um pouquinho de vida. A série segue um formato mais tradicional, pois é filmada com múltiplas câmeras, tem aqueles cenários em forma de palco e apresenta a maldita da laugh track.

O mais legal de 2 Broke Girls é ver como o relacionamento de personagens tão diferentes se desenrola através de algo pela qual as duas protagonistas lutam juntas: abrir uma loja de cupcakes e sair da pobreza. Nesse sentido, a alma do programa tá no humor que esse choque de personalidades, backgrounds e visões de vida desperta. Ao mesmo tempo as piadas são extremamente atuais e atingem desde os "pobres" hipsters até a alta diversidade racial dos moradores do Brooklyn (o que gerou várias acusações de racismo de vários críticos, mas eu discordo deles nesse ponto, pois as personagens retratadas não seguem exatamente seus estereótipos raciais). Além disso, como em New Girl, o elenco de apoio é ótimo e também é parte essencial da graça, por isso, aqui destaco a Sophie, personagem hilária da Jennifer Coolidge, a.k.a. a mãe do Stifler. Enfim, só assistindo pra sacar.


Óbvio que não vi todas as séries que estrearam essa temporada, não estou no Ensino Médio, né? Mas essas com certeza valem a pena ver. Especialmente porque tantas outras que eu tanto curtia já ficaram muito chatas. Supernatural tá uma putaria desde a quarta temporada, The Big Bang Theory já me cansou e Grey's Anatomy is the new ER. O que me resta é buscar essas séries novas. Novas mesmo, já que não tenho saco pra começar a ver a tão falada How I Met Your Mother e suas mil temporadas. Assim, acabei encontrando Happy Endings, da qual posso falar numa outra oportunidade. Mas a questão é que New Girl e 2 Broke Girls me surpreenderam, não só pela grande capacidade cômica das protagonistas femininas, mas pelo olhar um pouco diferente do que a gente tá acostumado a ver em séries, sem levantar bandeiras de gêneros. A comédia não é prerrogativa de homens ou mulheres. A comédia é.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Top 5 Strangeland

Pra quem não lembra o Keane é aquela banda inglesa que estourou lá em 2004 com singles como Somewhere Only We Know e Everybody's Changing, depois em 2006 com Is It Any Wonder e Crystal Ball. Ttudo isso com um som baseado principalmente no piano. A banda - agora oficialmente um quarteto - não lançava um álbum de estúdio desde 2008 com o Perfect Symmetry. Até teve o Night Train, um EPzinho de brimks que eles gravaram durante uma turnê, mas esse era só uma pequena amostra do que eles realmente podiam fazer. E eis que finalmente, neste ano, eles gravam o Strangeland, o qual, segundo estimativas, já está no caminho de se tornar o quinto álbum da banda a alcançar o primeiro lugar nas paradas inglesas e no meu last.fm.


O álbum foi lançado oficialmente dia 7, mas obviamente vazou vários dias antes e eu não podia deixar de dar uma escutada, depois outra, depois outra. E nesse espírito de vício novo, resolvi fazer uma resenha do álbum, daí me toquei que eu não sei fazer resenhas de álbuns! Yay, então vou improvisar aqui e fazer um mix de resenha com meus tão recorrentes Top 5s. E mais, aviso logo que estou no início do vício, por isso as músicas do Strangeland que mais me chamaram atenção até agora foram as mais animadas (se é que podemos chamar o Keane de animado). Falo isso porque, com certeza, daqui a um mês estarei cortando meus pulsos com as mais lentas, que nem fiz com Bedshaped e Bad Dream. Então passemos às faixas que mais tenho ouvido.

5. On the Road

Já abro essa lista com a música mais "agitada" do álbum. O pianinho e a bateria mais ligeira do início já anunciam bem o clima da música, que combina com o título. Daí chega no refrão e dá a vontade de sair por aí de carro, a pé, de ônibus ou até de jegue. Enfim, música feita pra ouvir na estrada mesma.

4. Day Will Come

Essa é uma das músicas mais Coldplay/The Killers desse novo álbum. O Tom canta ela já num tom (ba-dunts) mais agudinho e já se liga num refrão e avisa pra gente que o nosso dia vai chegar, é só segurar as pontas que vai dar tudo certo, mano. I believe you, Tom!

3.You Are Young

Com certeza a melhor escolha pra abrir o álbum. Sem frescura, sem intro chamativa. A primeira coisa que ouvimos já é a voz do Tom junto com o piano pedindo pra gente ter fé e ficar até a escuridão passar. De fato, o sentimento é o do desconhecido de uma terra estranha. Mas todos temos tempo, pois somos jovens.

2. Silenced By The Night

Logo depois de You Are Young temos Silenced By The Night, primeiro single do Strangeland e, não coincidentemente, a primeira desse álbum que eu ouvi. Ainda vi junto com o clipe, então a impressão foi mais forte, logo é uma das em que mais me viciei até agora. Por alguma razão o tecladinho bonitinho me lembra canções natalinas. E acaba que a mensagem do refrão tem a ver com esse espírito de ressurgir e de nascer.

1. Disconnected

Uuuuuh, I feel like I just don't know you anymoooore! Alguém tira isso da minha cabeça, por favor! Que música awesome, cara. Esse é o Keane lindo fazendo uma das melhores músicas da carreira deles. Curiosamente, é uma música de break up fodida, mas linda linda. O clipe também vale muito a pena ser visto, só não barra o level creepy do de Crystal Ball, mas tem todo um estilo top sucesso na balada.

Enfim, o Keane nos presenteou esse ano com mais um álbum incrível cheio de músicas com aquilo que eles fazem de melhor: cantar aquilo que todos sentimos todo dia toda hora, de maneira simples, mas muito poderosa e completamente longe do senso-comum. O que me incomodou um pouquinho foi que pareceu que eles meio que quebraram a inovação no som deles ocorrida no terceiro álbum, com aquelas guitarras doidinhas e chamativas. O Strangeland fica num meio termo entre o Under The Iron Sea e o Perfect Symmetry. Parece que eles não quiseram seguir o caminho do Keane feliz do terceiro e se ajeitaram nem lá, nem aqui. Mas o que que eu tô falando, o Under The Iron Sea deve ser o melhor álbum deles, então não dá pra eu ser objetivo e imparcial nesse quesito. Pra terminar, nesse Strangeland, apenas senti falta daquele hitzão à la Everybody's Changing e Crystal Ball que tocaram incessantemente nas rádios até enjoar. Vai ver que isso até é algo bom considerando o que se toca nas rádios. Mas tá esperando o quê? Corre logo pro Pirate Bay!
"Já me queimei e me enganei tantas vezes. Andamos em círculos, o cego levando o cego. De alguma forma fomos desconectados"